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02/11/2012

Falando bem, que mal tem?

Por Gi Olmedo

 - Pronome oblíquo - 


Papos
Luís Fernando Veríssimo

- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
- Eu falo como quero. E te digo mais... Ou é “digo-te”?
- O quê?
- Digo-te que você...
- O “te” e o “você” não combinam.
- Lhe digo?
- Também não. O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?
- Partir-te a cara.
- Pois é. Parti-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender. Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo...
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderem-me?
- No caso... não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou “esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dá. Mas não posso mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo este papo, esqueci-lo.




Ah, que regrinha mais chata, não? Como utilizar corretamente te, me, se ou lhe? Quem aí sabe aplicar isso no dia a dia? Veja:


1. Próclise: pronome + advérbio + verbo = 
Ele me observou.

2. Ênclise: verbo + pronome =
Ele observou-me.


A estas formas, damos o nome de "pronomes oblíquos". A próclise você já deve conhecer, pois ela é aplicada diariamente em sua conversação, nos seus SMS trocados com os amigos ou até mesmo no bate-papo do Facebook. É muito mais usual, por estar presente na forma coloquial da linguagem (a forma como falamos). Já a ênclise é mais formal, sendo utilizada na linguagem escrita.

Me diga a verdade! - Diga-me a verdade!
Se importava com o sucesso do projeto.Importava-se com o sucesso do projeto. 

Em ocasiões informais, costumamos colocar o pronome ME no início da oração. Soaria algo parecido com a próclise, mas de maneira coloquial. Não é errado, pois esta forma já está consagrada pelo uso. Porém, exceto em conversas mais descontraídas, como e-mail para os colegas, jamais o utilize na linguagem escrita, pois trata-se de um erro grave de português.
"Me diz quem tem razão".
"Te vi na rua."

3. Mesóclise: início do verbo + pronome + terminação verbal = …observar-me-á… …observar-me-ia…
Nessa mesma família de pronomes oblíquos há, ainda, a mesóclise, pouco usual. Normalmente ela é vista em textos muito rebuscados, antigos ou com linguagem específica. Trata-se da colocação do pronome oblíquo no meio do verbo com algo que ainda vai acontecer (futuro do presente) ou que ia acontecer, mas não ocorreu (futuro do pretérito).
Tê-lo-ia perguntado, se o tivesse visto na ocasião.

Parece complicado, não é? A construção da mesóclise é possível graças à junção do verbo principal + o verbo auxiliar (haver). Particularmente, opto por nunca utilizar esta maneira, nem em textos formais, muito menos no dia a dia!
Dúvidas? Comente este post!
Abraços e até a próxima!

Gi Olmedo é jornalista, atualmente responsável pela assessoria de imprensa e comunicação interna do grupo teatral A Ordem do Caos e escreve para o AODC Notícias quinzenalmente, sempre às sextas-feiras, esclarecendo dúvidas sobre língua portuguesa.