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14/08/2013

Panorama do teatro brasileiro dos anos cinquenta

Por Telma Souza

O grupo mais importante do início dos anos cinquenta no Brasil foi o Teatro Brasileiro de Comédia, fundado por Franco Zampari , em 11 de outubro de 1948. Zampari, rico industrial paulista, foi um homem apaixonado pela arte que criou com seus próprios meios o teatro que mudaria consideravelmente a cena brasileira.
  Com efeito, até então, o teatro estava dividido em dois grupos de importância e valores desiguais. O primeiro desses grupos era constituído por elencos profissionais cujo interesse principal era o sucesso comercial de suas peças que, na maioria dos casos, tinham textos de qualidade duvidosa que serviam como suporte ao brilho dos atores (atores que declamavam em prosódia portuguesa, e isto até os anos trinta), sendo suas interpretações pontuadas por um humor fácil e até vulgar. O trabalho do diretor se reduzia a verificar se o elenco conhecia bem o seu texto,  fixar a movimentação cênica e, sobretudo, a facilitar o trabalho da vedete do grupo.
  O segundo grupo era formado por amadores preocupados em melhorar a qualidade estética do teatro brasileiro retomando conceitos vindos da Europa. Esses elencos começavam a se preocupar com o nível artístico do repertório, com o trabalho criativo do diretor, com a cenografia, assim como com uma maneira de interpretar que não seria mais unicamente voltada para ajudar às performances de uma vedete, mas sim, onde a totalidade do elenco teria igual importância, não sendo nenhum ator relegado ao ingrato papel de pedestal. Em resumo, preocupações totalmente alheias às dos profissionais e que traziam uma renovação salutar à cena brasileira.
  Citando unicamente o mais famoso exemplo, a representação pelos COMEDIANTES de VESTIDO DE NOIVA (a peça foi representada em 28 de dezembro de 1943 no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e é, sem duvida, um marco na dramaturgia nacional) inovou em pelo menos três pontos: a narração dramática fragmentada em vários níveis, o recurso mais frequente das possibilidades da iluminação e a utilização da cenografia como linguagem. Mas, por maiores que tenham sido as qualidades dos grupos amadores, eles se viam confrontados com os problemas intrínsecos ao amadorismo: falta de dinheiro, impossibilidade de se manter elencos fixos, falta de disponibilidade de seus integrantes, etc. problemas que os impediam de realizar um trabalho regular que resultava na diluição desses grupos.
Podemos, então, considerar que o advento do Teatro Brasileiro de Comédia foi o do profissionalismo inspirado nas práticas artísticas do teatro amador dos anos quarenta. Com efeito ,a primeira intenção de Franco Zampari foi a de oferecer uma sala confortável para estes elencos. Graças a esses espetáculos ,o TBC teve rapidamente a merecida fama de ser o teatro onde só se produziam bons espetáculos .O próprio sucesso do teatro levou Zampari a rever sua opção pelo amadorismo. A necessidade de se manter sempre um espetáculo em cartaz, de se investir maciçamente para se obter bons recursos técnicos, levou o  TBC a se profissionalizar em 1949. O elenco que se formou era, em parte ,constituído somente por antigos amadores sob a direção de diretores de trajetória profissional já comprovada. Como Adolfo Celi, Ruggero Jacobbi e Ziembinski. O TBC criou um estilo: bons textos, quase sempre estrangeiro - o que a seguir iria lhes levar a ser censurados por seu estrangeirismo - representados num estilo intimista, por atores de talento, e com muita honestidade. Essa honestidade foi assim definida por Adolfo Celi:


  "QUANTO AO ESPETÁCULO,NÃO É NECESSÁRIO DIZER QUE PRECISA SER HOMOGÊNEO ISTO É,ARTÍSTICO E HONESTO AO MESMO TEMPO.POR ISSO MESMO,RESPEITO PROFUNDAMENTE O TEXTO DE UMA PEÇA E JAMAIS ME INTERESSOU SABER QUE É QUE O AUTOR PRETENDEU DIZER,COM ESTA OU AQUELA FRASE OU EXPRESSÃO.O QUE REALMENTE INTERESSA É O QUE ELE ESCREVEU E NÃO O QUE ELE PRETENDE INSINUAR"

 (Citado por Roux,Richard.Le Théâtre Arena-São Paulo 1953-1977,du  théâtre en  rond ou théâtre populaire.Vol.1.Aix-en-Provence:Université de Province,1991,p.64-5)



Fonte:
Livro-As Imagens de um Teatro Popular
Autor-Julián Boal
Editora Hucitec



Telma Souza,Estudante de Publicidade e Propaganda e faz parte da oficina de Teatro A Ordem do Caos.