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14/07/2016

O que rolou no segundo domingo de apresentações | 11ª Mostra Cultural AODC

Por Larissa Costa


10 de julho foi dia coisa séria! Assuntos como educação, periferia e história do Brasil chegaram ao palco da 11ª Mostra Cultural A Ordem do Caos. Ainda assim, também teve espaço para aquele rock, rap de primeira e muitas risadas!


A Família Unidos pela Dança, de Parelheiros, extremo sul da capital paulista, abriu o domingo cultural com Brasil Sem Censura, espetáculo de dança reunindo mais de 20 coreografias de diferentes estilos, como baião, dança de rua, contemporâneo e ballet. Há três anos eles estão juntos, levando uma opção cultural à cidade, por meio de seu trabalho no CEU Parelheiros.

Gabriel é um dos bailarinos e comenta sobre a primeira apresentação fora do bairro: “Tirar ele de onde estamos acostumados é uma oportunidade de fazer outras pessoas conhecerem o que temos a oferecer e saber um pouco sobre a história do Brasil pela nossa arte”.

Jéssica Alves, professora e coreógrafa do grupo, também nos falou um pouco sobre a equipe e a apresentação. “Eu me orgulho muito de fazer parte desse grupo. É um trabalho árduo, mas que compensa no dia a dia quando vemos o sorriso de cada um deles. O espetáculo tenta resgatar uma consciência. A gente trouxe o navio negreiro que existiu há anos, porém ainda vivemos em um navio negreiro, só que com outro formato. Eu senti muita emoção pelo elenco e pelas pessoas que estavam assistindo. Eu percebi que a informação realmente foi passada”, conta.




Islari, também bailarina, revelou que tanto as pesquisas sobre os temas da apresentação, quanto figurinos e maquiagem, foram feitos por eles. “Cada peninha do figurino foi esforço nosso, ficamos dias sem dormir”, relata. Assuntos como educação, periferia e brincadeiras infantis que foram esquecidas por conta da tecnologia, entre outros temas, são abordados no espetáculo. Islari ainda falou sobre a evolução desse trabalho. “No primeiro espetáculo, se não me engano, tínhamos treze coreografias. Neste estamos com 21. Cada vez estamos reunindo mais temas”, diz.


Após assistir à apresentação, Taires, que estava na plateia, disse sobre o que viu: “Gostei da dança, em alguns momentos eu até me emocionei, principalmente nas partes que falavam sobre o nordeste. Ainda mais do jeito que eles dançam, 'casa' muito bem”. O espectador Cleiton complementa: “Foi bacana, bem diversificada”.

Em seguida foi a vez do rap entrar em cena. Mano Money's e Dj Conrado fizeram a cabeça da galera com músicas do primeiro disco solo de Money’s, Manutenção dos Fatos. Vindo diretamente do Grajaú, ele explica a respeito de suas músicas. “Nas letras eu costumo muito falar de mim e das minhas vivências, acreditando que essa troca possibilita a identificação do público com o que outras pessoas viveram e, de repente, eles percebem que têm algo em comum. Eu trabalho bastante a questão do sonho. A gente vem de um contexto onde somos estigmatizados, onde existe uma questão de vulnerabilidade social, mas a minha mensagem é que, mesmo com esse contexto, nós não precisamos nos vitimizar”. Além das canções, ele atua com outros colegas artistas no coletivo Fronte, promovendo ações comunitárias que envolvem shows, saraus e poesias, entre outras atividades no Grajaú.


Continuando com muita música, a banda Em Busca de Sofia encantou o público com sua energia de rock indie-folk alternativo. O grupo veio do Capão Redondo e é composto por amigos que se conhecem desde a infância. Abner Bruce, vocalista, confessou ter ficado bem apreensivo e ansioso pela apresentação. “Por conta da nossa linguagem um pouco cristã, a gente se apresenta mais em igrejas. Em um espaço cultural foi a primeira vez. Acho que eu nunca estive tão nervoso (risos). Eu achei a experiência ótima e pretendo voltar outras vezes”.



Em seguida foi a vez dos estudantes da Oficina AODC subirem ao palco em sua peça de conclusão. Comédias Podres foi dirigida por Marcos Batsi - estreante na direção, mas participante das atividades desde 2013 e integrante do grupo desde o ano seguinte. “Foram seis meses de loucura e correria. Foi bem cansativo, mas no final, saiu”, declara o diretor. Ele fala também sobre o processo de adaptação do texto, que sofreu alterações para maior compreensão do público. “A gente teve que adaptar muita coisa, inclusive para a cultura pop atual, como os memes de internet, para as pessoas se familiarizarem e entenderem, darem risadas... Foi bem gostoso de escrever”.

Sara Santos interpretou a personagem “Maria Debilitada” e comenta: “Eu estou muito feliz. Deu muito trabalho, quem vê de fora não imagina o quanto é difícil estar lá no palco. Agora a sensação é de missão cumprida! É muito gratificante”.

Dona Ana Maria veio assistir às apresentações e saiu do CCJabaquara encantada. “Eu fiquei muito feliz! O teatro é isso: vida. Achei muito interessante também as bandas... o rap em um protagonismo social atual, falando de realidade. A Em Busca de Sofia fala muito ao coração da gente. Eles têm uma energia muito boa. Eu me senti muito à vontade. Especialmente a penúltima música, eu senti bem direcionada para mim”, desabafa, feliz. 

A penúltima apresentação do dia ficou por conta do Palhaço Fusquinha de Porta Aberta, vindo de Sorocaba, interior do Estado. O artista surpreendeu o público com seus malabares com bolinhas, claves e instrumentos com fogo, além de provocar altas risadas. A interação dos espectadores foi fundamental para que o espetáculo fosse bem feito, contando com adultos e crianças para ajudar em seus truques. "Eu comecei com malabarismo em 2005. Meu irmão ia em raves e me mostrava algumas coisas que via por lá. Passei a estudar essa modalidade, e em 2007 fui ampliar meus conhecimentos”, diz o palhaço. “Desde que fui trabalhar com a arte eu aprendi sobre o mundo de uma forma geral e abri meus olhos para outras coisas. Por exemplo, vi como viver sem ter uma rotina e a importância de levar uma atividade deste tipo a alguém que nunca viu. Isso é algo muito gratificante, nos motiva muito”, finaliza Fusquinha.

Fechando a noite, a Vidraça Cia de Teatro (Mogi-Mirim/SP) despertou risos e reflexão com a peça Mobral. Por meio de metáforas e declarações de vivências reais dos atores, a apresentação fala sobre educação, os profissionais que trabalham com ela e o tratamento que esse setor recebe no Brasil e em outras partes do mundo. Luiz Dalbo, um dos integrantes da companhia, revelou o objetivo do espetáculo: “A gente acredita no teatro que é transcendente. Leve para a casa a mensagem, replique, leve para os outros. A nossa proposta é instigar as pessoas a refletirem e pensarem em mudanças”. O ator retorna à 11ª Mostra no próximo domingo, dia 17, desta vez com a peça A Vida Íntima de Gabriela, pela WM'S Cia de Artes e Dança. Não vai perder, certo? Esta e outras atrações esperam por você a partir das 14 horas no Centro Cultural Jabaquara. Até lá!

*Quer conferir toda a programação? Acesse: https://www.facebook.com/events/245044222534792/

**Aproveite a visita à Mostra Cultural e se inscreva para a turma de 2º semestre da Oficina Teatral A Ordem do Caos. Confira os detalhes sobre as atividades: https://aodcnoticias.blogspot.com.br/2016/06/oficina-de-teatro-gratuita-em-sao-paulo.html

Fotos: Alex Silva

Larissa Costa é estudante de jornalismo e estagiária na FAPCOM - Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Acredita que foi a profissão que a escolheu e não o inverso. Gosta de observar os detalhes e admirar o que parece ser invisível. O estranho a envolve, o novo a atrai. Ama sorrir e chamar sorrisos. Gosta de ser feliz e transmitir esse sentimento a todos e todas que puder. É uma pequena garota que busca realizar seus gigantescos sonhos.