Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens

04/11/2015

Espetáculo Uz é um dos destaques em festival de teatro catarinense

Por Danilo Moreira


Em passeio por Florianópolis (SC), tive a oportunidade de assistir à peça tragicômica “Uz”, do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón e produzida pela La Vaca Companhia de Artes Cênicas, com tradução de Esteban Campanela e direção de Renato Turnes. O espetáculo esteve em cartaz no Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura (CIC) e faz parte do 22º Festival Isnard Azevedo, que levou teatro de graça a diversos bairros da cidade entre os dias 18 e 25 de outubro.

Uz é uma cidade onde vive Grace (Milena Moraes), a mais virtuosa das mulheres do local e um exemplo de fé e religiosidade. A dona de casa leva uma vida comum com seu marido carinhoso e dedicado Jack (W/Marcão), o filho “perfeito” e em idade militar Tomás (nesta apresentação, interpretado por Rafael Orsi de Melo) e a filha Doroty (Lara Matos), que vive em seu próprio mundo. Certo dia, Grace recebe de Deus ordens para matar um de seus filhos como prova de sua fé. Ela aceita a missão e passa a perseguir o seu objetivo, gerando muita confusão na cidade. Também há figuras como o pastor Maykol (Malcon Bauer), que brada dogmas conservadores mas, no fundo, é um homossexual enrustido; a vizinha Leona, beata com desejos sexuais reprimidos e o açougueiro José (Álvaro Guarnieri) e a filha Catherine (Thaís Putti), dois cidadãos de bem que também têm suas vidas influenciadas pelo desejo doentio de Grace.


A peça cutuca de forma afiada e bem humorada a alienação religiosa e a hipocrisia dos costumes na sociedade, mas sem se dirigir a uma doutrina específica. Apesar de mexer com tabus que podem chegar a ofender aos mais conservadores (ou quem tem pouco senso de humor), “Uz” é uma senhora comédia capaz de arrancar muitas gargalhadas sem perder o fio narrativo e crítico. Os atores usam e abusam de trejeitos, caretas, gestos engraçados e surtam junto à protagonista e seu secreto desejo obcecado em cumprir a missão que recebeu. Destaque para o ator WMarcão e a atriz Elianne Carpes, que fizeram muitos se contorcerem nas cadeiras de tantas gargalhadas ao explorarem a insanidade das suas personagens, além de brincarem com trejeitos, o espaço cênico e até com alguns imprevistos em cena. 

“Uz” foi para mim uma grata surpresa, que equilibra sabiamente o humor e uma linguagem ácida, mostrando sem delongas a que veio. A peça segue uma das principais funções do teatro que é incomodar o espectador, levando-o a pensar, neste caso, sobre como o fanatismo pela religião influencia a sociedade e quais as consequências para todos. Outros temas como violência, sexualidade e preconceito de diversos tipos também são abordados no espetáculo. É praticamente impossível não se recordar de alguém ou uma situação que se tenha vivido por meio daquelas personagens apresentadas.



Após a peça, tive a oportunidade de sentar com os atores (muito simpáticos, inclusive) e outros espectadores no palco para um debate performático sobre os temas abordados, sob a coordenação do Professor e Doutor em Artes Cênicas Flávio Desgranges. Uz, sem dúvida, é uma pequena luz e um respiro em um momento que o conservadorismo tem ganhado força nas mídias sociais e também na esfera política. 

Fotos: Cristiano Prim/Divulgação.

Danilo Moreira é jornalista e escritor. Além de gostar de observar e delirar sobre as entrelinhas do cotidiano, atua no jornalismo empresarial e também produz conteúdos voltados à Criatividade. Trabalhou no teatro por três anos com atuação e criação de roteiros. Escreve mensalmente para o AODC Notícias.

08/07/2014

Descomplicando a Meditação

Por Liliane Ribeiro


Muitos ainda pensam que meditar é só “coisa” de monge religioso, de pessoas totalmente Zens ou bem alternativas, mas o fato é que a meditação não é tão complicada quanto parece e pode ser bem mais simples do que você imagina.

A meditação foi se tornando mais popular pelos pesquisadores no ocidente depois dos anos 60, mas é claro que ela existe a milhares e milhares de anos no qual é associada a filosofias como yoga e o budismo. Levando em consideração que os primeiros registros de yoga foram feitos em 200 a.C (mas começou bem antes que isso), a meditação aqui no ocidente esta apenas engatinhando e ainda tem muitos frutos para gerar e contribuir para a evolução da consciência humana.

Ok ! Mas o que seria exatamente a meditação?
Existe vários tipo de meditação, mas no geral o intuito é a auto-regulação do corpo humano usando técnicas que mantêm o foco e a concentração. Para isso, durante a meditação, deve-se utilizar de um recurso chamado âncora (sons, movimentos, respiração, imagem, entre outros). O objetivo é se “isolar” de qualquer outra interferência do ambiente que não seja a âncora escolhida, e o principal é não fazer nenhum julgamento perante pensamentos e interferências do ambiente que forem surgindo, apenas observá-los.

Porque a meditação é sempre associada à Religião? Preciso seguir uma para meditar?
Bom, ela veio do oriente certo?! E lá a fé não anda separada da razão, como é feito aqui no ocidente. E é associada sempre dentro de algumas religiões como: Islamismo, judaísmos, taoismo, xamanismo onde são utilizadas algumas técnicas de meditação. A boa notícia é que para fazer uma prática não é necessário seguir nenhuma delas, caso não seja do seu interesse se aprofundar em técnicas específicas. As técnicas como Mindfulness, concentração, vipassana são exemplos de meditações que não são vinculadas a religião.

O que acontece no corpo quando é feita a meditação? Faz bem a saúde?
São essas as respostas que buscam os cientistas na atualidade e muito já foi esclarecido. Apesar da atenção e concentração, o corpo entra um estado de reparação semelhante ao sono, a necessidade de oxigênio e produção de gás carbônico é reduzida, diversas outras funções também diminuindo a produção de substancias que causariam o estresse e ansiedade. Outras pesquisam revelam que meditadores experientes tendem a pensar de maneira positiva e tem uma melhor capacidade de controlar suas emoções.  Também ocorre a produção de substancias que geram sensação de bem estar que agem como “calmantes” naturais, reduzem a dor, aumentam a alegria e melhor:  impedem o envelhecimento!

Como faço para meditar?

  1. Sente-se de uma maneira bem confortável, utilize almofadas e até cobertores para apoio das pernas. 
  2. Use a respiração como âncora
  3. Apenas observe sua respiraçãoDica: Fique atenta a temperatura do ar, como ele entrar e sai das narinas, se ele encosta-se à pele, as partes do corpo que se movimento durante a inspiração e expiração.
  4. Abstenha o julgamento: não mergulhe na distração.  A mente pregará várias peças impedindo a continuidade da pratica, quando perceber que se esqueceu da respiração retome novamente.
  5. Estabeleça metas: Inicie com 5 minutos e a cada semana de prática tente aumentar o seu tempo
  6. Construa um diário: Anote as percepções, as diferentes sensações, padrões de pensamento.

O ideal seria a prática de 2 vezes por dia,  mas para começar 1 vez ao dia é o suficiente =D

Frase inspiradora!
“ Dominar a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha” – (Sakyamuni)

Vamos praticar!!!


Referências:
Danucalov, Marcello Árias Dias & Simões, Roberto Serafim (2006). Neurofisiologia da meditação. São Paulo: Phorte.
Institute, Mind & Life. (2010). Education, Developmental Neuroscience and Contemplative Practices: Questions, Challenges, and Opportunities.  Recuperado: 06 jul 2014. Disponível:http://www.mindandlife.org/pdfs/sri_conference_brochure_2010.pdf 
Levine, Marvin (2000). The positive psychology of buddhism and yoga: Paths to a mature happiness. New Jersey: Lawrence Erlbaum Associates.
Menezes, Carolina Baptista, Fiorentin, Bruna, & Bizarro, Lisiane. (2012). Meditação na universidade: a motivação de alunos da UFRGS para aprender meditação. Psicologia Escolar e Educacional, 16(2), 307-315. Retrieved July 06, 2014, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572012000200014&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S1413-85572012000200014.
Menezes, Carolina Baptista, &  Dell'Aglio, Debora Dalbosco (2009). Os efeitos da meditação à luz da investigação científica em Psicologia: revisão de literatura. Psicologia: ciência e profissão, 29(2), 276-289. Recuperado em 06 de julho de 2014, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S 14149893200900020 0006&lng=p t&tlng=pt. .
Menezes, Carolina Baptista, & Dell'Aglio, Debora Dalbosco. (2009). Por que meditar? A experiência subjetiva da prática de meditação. Psicologia em Estudo, 14(3), 565-573. Retrieved July 06, 2014, fromhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid =S1413-73722009000300018&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S1413-73722009000300018.
Menezes, Carolina Baptista, Fiorentin, Bruna, & Bizarro, Lisiane. (2012). Meditação na universidade: a motivação de alunos da UFRGS para aprender meditação. Psicologia Escolar e Educacional, 16(2), 307-315. Retrieved July 06, 2014, from http://www.scie lo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572012000200014&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S1413-85572012000200014.


Liliane Ribeiro é naturóloga formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especialista em Iridologia e Irisdiagnose. Pós-Graduanda em Acupuntura pela Escola de Terapias Orientais de São Paulo e é estudante da oficina teatral A Ordem do Coas 2014.  

Instagram

>

Não deixe de conferir:

Oficina Teatral 2022 - CEU PQ Bristol

Depois de muito tempo parados por conta da pandemia de Covid-19, finalmente estamos de volta com a oficina teatral gratuita. Agora em um no...