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01/11/2012

Erupção vulcânica mergulhada em conflito

Por Tamires Santana

Terremotos, calor excessivo, furacões, legiões de aranhas que atacam a índia, asteroide que se aproxima do planeta, ruínas financeiras, políticos corruptos, problemas sociais, ato de recolher do PCC... e eu aqui, no meu quarto, apenas preocupada com o meu nariz.
Viva la crisis existencial

De nada sirvo para este mundo. Desligo o celular, durmo estressada, pernilongos me fazem companhia. Ao acordar, ligo o celular, “ninguém me ligou? Não tenho amigos”.
Vida bandida!

O telefone toca, atendo, cai a ligação. O telefone toca, atendo, linha muda. O telefone toca, atendo, xingo. Do outro lado da linha “gostaria de falar com Maria...”
Como sou grossa!

Cataclismos não são suficientes, o que importa é só o meu mau-humor. Dado momento me recordo dos maias... os maias nunca disseram que o mundo iria acabar, ledo engano, apenas profetizaram o início e o fim de ciclos, mas nada de explosões planetárias.
Que pena!

Seria muito mais fácil se tudo explodisse. Em uma única tacada, todos os problemas evaporar-se-iam. Karl Marx disse: “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Perfeito! Porque o mundo não acaba deste jeito? Seria uma saída triunfal pra todos nós.
Lamentável!

O mercado do fim do mundo comendo solto, rendendo milhões e eu aqui, desperdiçando o meu talento. Mas a culpa não é minha. A culpa é do ego e do pensamento.

Erupção vulcânica mergulhada em conflito - Parte II

Força magística do poder ígneo, portal interminável sobre a existência.
Nada de impulsos, ódio ou má intenção.
A nada escapa à lei da Ação e Reação. 

Por séculos, evocam-se deuses e divindades
Pra ênfase do ego.

E depois, após tamanha destruição,
Clamam o apocalipse como solução.
Parou a palhaçada!
Vão ter que arcar com as consequências, camarada.
Se adapte à constante transformação.

Olho para o meu umbigo
Reclamo das coisas comigo
Lembro dos maias, de Karl Max.
Índio Guarani Kaiwoá foi morto, estuprado, expulso.

Puta que pariu!
E eu aqui olhando só para o meu nariz.
Dado momento me senti uma meretriz.
Ser índio é tomar chumbo (censurado).

Lembro-me do meu finado avô.
Índio, cabra da peste, bebum...vitimado.
Perdão por colaborar ao sustento dessa vida moderna, confortável.
Que nem mesmo eu saboreio.
Pra quem, até quando?
Não me chateie com questionamento.
Vou ganhar o céu com o meu cabresto.

Sou índia renegada,
O menino de rua que samba na cara da sociedade
Pedindo gorjeta e socorro.
Macaco Simão depilado, escovado e adaptado. 
Sou o obscuro fazendo parte do infinito,
Uma erupção vulcânica mergulhada em conflito.

Morrer e acabar,
Sério que você acredita nisto?
Ciclos consolidados, sólido que desmancha.
Nada impede a eternidade de vigorar.
Mas, enquanto o pensamento obscuro viver,
Pra essência jamais vai despertar.


Tamires Santana é jornalista e designer gráfico, além de militante em prol dos movimentos culturais na cidade de Francisco Morato. Ela escreve para o AODC Noticias quinzenalmente, às terças-feiras. Às vezes, às quartas, às quintas... tudo depende dos aparatos tecnológicos que nos dão suporte e por vezes nos abandonam...
Aprecie textos melancólicos, insensatos, apaixonados e quase nunca jornalísticos em:  http://ofilhoemeu.blogspot.com.br/