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22/08/2013

Cultura da Morte

Por Karen Goia

Santa Muerte
Diariamente vemos nos noticiários acidentes ou assaltos que deixam vítimas fatais, falecimento daqueles entes queridos que as vezes por enfermidade nos deixam saudades, boas recordações e sentimentos. Em uma sociedade onde geralmente se preza os valores morais e éticos, os bens materiais e familiares. Percebemos que muitas vezes a morte é um enigma a ser desvendado e, muitas vezes, um assunto desagradável, que todos temem e ninguém tem interesse em refletir sobre de uma forma mais consciente e descontraída.  Pois, se sustenta que a morte não é o fim natural da vida, se não uma fase de um ciclo infinito. Vida, morte e ressurreição são os estados do processo evolutivo de cada existência.
Pensando um pouco sobre isso, decidi escrever sobre a tradição da cultura mexicana de comemorar o dia dos mortos, assim como no dia de finados aqui no Brasil mas, ao contrário dos brasileiros que vão aos cemitérios e à missas, no México os dias 01 e 02 de Novembro são dias para celebrar e festejar. Agora você deve estar se perguntando: Qual é o motivo da comemoração? Para os mexicanos a morte é o fim de um ciclo e o início de outro.  Essa tradição milenar festiva é uma herança dos povos pré-hispânicos do México e que a colônia espanhola incorporou. É também época de colheita e de fartura. Por isso a festa e a alegria. Essa é uma forma de o povo demonstrar respeito e adoração pelos seus entes queridos. É como se os espíritos tivessem permissão para visitar sua família nesses dias, dois dias para que todos possam conviver mais uma vez. Para isso, os altares dos mortos são montados com as iguarias e os produtos que os desencarnados mais gostavam como cigarros, comidas e bebidas. 

Altar de Santa Muerte
No altar, além da imagem da Santa Muerte, outros quatro elementos básicos devem ser representados. A água está lá para que o morto limpe seus pés após sair do reino dos mortos. As frutas representam a terra. A vela é o fogo que ilumina o caminho até o reino dos vivos. E o ar vem em forma de papel picado. Arranjos de flores, ampulheta e terços também são utilizados como elementos do altar. A decoração da festa é à base de caveiras e esqueletos. Também é tradição fazer uma caveira de açúcar e cravar o nome dos que já se foram. As pessoas escrevem também uma espécie de poesia com o nome do falecido, mas de uma forma bem engraçada e divertida.

No dia de Los Muertos a Santa Muerte é a Anfitriã da festa popular que toma conta do país. Muitas mexicanas saem nas ruas com o rosto pintado para celebrar e homenagear este grande dia. Elas se maquiam de caveira, com muitas cores e enfeites. Santa Muerte não é uma santa reconhecida pela igreja católica, têm raízes na civilização astecas, onde ela é conhecida como Mictlancihuatl, a deusa da morte. Ela tem muitos seguidores em todo o México e na América Latina. Dizem que ela responde a todas as solicitações e, se seus devotos a servi-la bem, ela os concede uma morte agradável quando chegar a hora do último suspiro.

Sua vestimenta é composta de uma longa capa negra, embora ela esteja associada com outras cores fortes, como o vermelho, azul, amarelo e laranja, dependendo da ocasião.  Geralmente carrega uma foice ou  outros símbolos, as escalas (justiça), o globo (representa o seu poder no mundo), a coruja (visão e orientação), a ampulheta (tempo), e a lâmpada (clareza). Suas ofertas incluem pão, fruta, flores, tabaco, tequila, seus fieis também oferecem licor de alcaçuz, rum, uísque e café.
Outra figura que não pode ser esquecida no dia de Los Muertos é uma dama muito especial, La Catrina de los Toletes, uma dama da alta sociedade que traz consigo o triunfo da liberdade. Essa dama chiquérrima é representada por um esqueleto com vestimenta que remete ao século XX e um grande chapéu demonstrando que a morte é para todos, sem diferenciar raça, cultura, nacionalidade, idade e nível social.
La Catrina, com a sua personalidade travessa, simpática e sedutora nos convida a viver plenamente cada momento, seja grande ou pequenos,  encontrando o verdadeiro sentido da vida.  Convidando todos a aproveitar o presente e, através da música e da dança, se divertir e celebrar. Lembrando que a vida é aqui, agora e para sempre, como as artes, que são eternas.
La Catrina

Cada vez é mais comum ver incorporada como parte do Dia de los Muertos a criação de peças de artesanato que representam La Catrina, seja argila ou outros materiais que, dependendo da região, pode variar um pouco em suas roupas e, até mesmo, o chapéu famoso. Paralela a este universo cultural, está uma jovem artista em especial. Sylvia Ji. Essa americana de São Francisco demonstra em suas obras grande feminilidade e sensualidade, retratando a beleza e os mistérios do universo da mulher, sua delicadeza e em muitas delas a homossexualidade.

As suas obras de mais destaque são as que foram inspiradas pelas tradições mexicanas, em muitas delas Ji retratou mulheres de rostos pintados como se fossem caveiras mexicanas e com belos arranjos de flores em suas cabeças. Destaco, também, as cores vibrantes em suas obras que demonstram muita expressividade com os sentimentos feminino, como tristeza,raiva, ternura, amor, proteção, fé, sensibilidade e devoção e, em algumas obras, inspirações nas santas populares do México. Para maiores informações sobre a artista acesse o site oficial http://www.sylviaji.com/





Fonte: 

Karen Goia é Radialista. Possui Bacharelado em Comunicação Social - Rádio e TV. Amante de música, cinema, fotografia, e natureza. Grande apreciadora de diferentes culturas. É também estudante da Oficina de Teatro 2013, do grupo A Ordem do Caos.