29/06/2016

Oficina de teatro gratuita em São Paulo abre inscrições

A Ordem do Caos realiza matrículas para o segundo semestre de suas aulas de teatro durante evento no Centro Cultural Jabaquara


Devido à grande procura, o grupo teatral A Ordem do Caos, que em 2016 completa 20 anos de história, abre inscrições para uma nova turma de estudantes interessados em aprender sobre atuação, produção, cenografia, figurino, maquiagem e todos os aspectos ligados ao teatro. As aulas têm início previsto para 7 de agosto e as matrículas serão realizadas durante a 11ª Mostra Cultural organizada pela companhia, no Centro Cultural Jabaquara.

Para se inscrever, é necessário ter 15 anos completos e levar documento de identificação com foto ao local. Não é necessária experiência prévia na área. Das 14 às 17 horas, nos dias 3, 10, 17 e 24 deste mês, a equipe responsável pelas matrículas estará no local de aulas. 

Também muito procurada por quem deseja trabalhar a desinibição e enfrentar a timidez, a oficina ocorre sempre aos domingos, das 14h às 17h, e o diretor Wellington Dias é o responsável pelas atividades. Sua duração é de aproximadamente quatro meses, com término previsto para o início de dezembro.


A oficina é totalmente gratuita! Aguardamos você na Turma II 2016!

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/520985538085867/

Pela internet poderão se inscrever os interessados nas vagas remanescentes, lembrando que é obrigatório comparecer no primeiro dia para validar a inscrição.







28/06/2016

Peças de conclusão - Oficina A Ordem do Caos 2016

Nossos estudantes já estão ansiosos para mostrar o resultado de um semestre todo de estudos, ensaios e preparação! No mês de julho tem peça dos Formandos AODC 2016. Confira cada um dos espetáculos, dias e horário das apresentações, que ocorrerão durante a 11ª Mostra Cultural A Ordem do Caos:

3/jul


14h - Sonho de uma noite de verão


Sinopse: Hérmia ama Lisandro, mas não tem a permissão de seu pai para o casamento, pois ele quer que ela se case com o corajoso Demétrio. Por causa disso, Hérmia e Lisandro decidem fugir. Demétrio, perseguido incessantemente pela apaixonada Helena, vai atrás dos fujões. Os quatro, então, se perdem numa floresta povoada por fadas e outros seres encantados. A partir de então, o conflito está armado e se desenvolve numa deliciosa e divertida confusão. Venha conhecer esta mágica aventura, onde você encontrará encanto e movimentação, brigas e reconciliações, paixões e casamentos, equívocos e finais felizes. É um conto de Shakespeare muito divertido e nada trágico, um verdadeiro sonho.

Elenco: Aros Amores, Aline Sykes, Beatriz Rodrigues, Daniele Marcondes, Janna Lemos, Laura Esposel, Letícia Migliacci, Lidy Rose, Marcel Avolio, Márcio Moreno, Natália de Maria, Pâmela Gomes, Paula Moreira, Raone Turco, Senna Kozuma e Victor Afonso

Texto: Willian Shakespeare

Adaptação: Iago Barreto e João Silveira

Direção: Pâmela Gomes

Direção Geral: Wellington Dias

Duração: 50 minutos | Classificação: Livre





18h - A Insana

O coelho branco está com pressa. A lebre e o chapeleiro tomam seus chás religiosamente às cinco da tarde. Os naipes e a rainha sempre fiscalizam suas atitudes e pensamentos. E o gato... o gato, com seu sorriso misterioso, persegue-a por onde quer que vá... O que realmente ronda o mundo de Alice? Delírio? Opressão? Prisão? Loucura? Adentrando seu mundo poderemos tentar desve
ndar... Mas cuidado: dizem que a loucura pode ser contagiosa...

Elenco: Caio Vale, David Lima, Érica Pitanga, Guga Lopes, Jéssica Nazli, Lucas York, Mariana Rocos, Maru Tenório, Paula Felix, Silmara Lazzaretti, Steffane Simioni, Vinícius Rocha e Will Conthenzzo
Texto: Maurício Rocha
Direção: Viviane Miranda
Direção Geral: Wellington Dias
Duração: 60 minutos | Classificação: Livre



10/jul

17h - Comédias Podres



Comédias Podres é uma história de crime, doçura, assassinato, violência, abuso, adultério e traição. Todas essas coisas que a gente adora em uma trama. Conheça a releitura politicamente incorreta de alguns contos infantis em situações que você nunca imaginou.

Elenco: Bia Vasco, Caio Ono, Jack Crypt, Júnior Lima, Lhuara Costa, Sara Santos e Vanessa Gerolde

Direção: Marcos Batsi

Direção Geral: Wellington Dias

Duração: 65 minutos | Classificação: 12 anos

24/jul

16h - Cabaré Neon
Sangue no cabaré. O assassinato descrito e escrito com tinta de sangue. Uma escritora no bar. Uma morte no cabaré. A descoberta do neon vermelho vivo nas páginas de um livro encenado em tempo real no palco. Nem todo o brilho deste espetáculo ofuscará o assassino.
Elenco: Ana Marcos, Andressa Picheco, Dinho Ribeiro, Flávio Herculano, Gabrielly Viana, Gicelda Petrole, Gi Barboli, Jack Crypt, Kaique Gustavo, Mari Oliveira, Pâm Gomes, Paula Caetano, Paula Felix, Steff Simi, Victor Afonso, Viviane Miranda e Wilker Carvalho
Texto: Jomar Magalhães
Direção: Joel Icarus
Direção Geral: Wellington Dias
Duração: 65 minutos | Classificação: 16 anos

17h - O Fim da Eternidade
Anos 80´s, um grupo de jovens em meio a festas, relacionamentos e aventuras descobre as complexas questões da vida adulta, onde suas dúvidas e incertezas ganham vida representadas por um Ser em uma história repleta de emoções.
Elenco: Aline Lourenço, Ary Cruz, Bárbara Medeiros, Black Fabrício, Carla Marques, Davi Castro, Henrique do Carmo, José Almir, Larissa Costa, Maria Campeoti, Nathalia Luz, Patricia Kuriki, Rafael Silva, Rapha Luque, Safira Suzzi, Saionara Neves, Stéfany Giselle, Thayarah Stanovejji e Verena Garcia
Texto: Wellington Dias
Direção: Josh Walter
Direção Geral: Wellington Dias
Duração: 65 minutos | Classificação: 12 anos

23/06/2016

Programação - 11ª Mostra Cultural A Ordem do Caos

A grade de espetáculos que serão apresentados no Centro Cultural Jabaquara na 11ª Mostra Cultural A Ordem do Caos foi definida! Confira cada uma das apresentações, suas datas e horários, e um pouquinho sobre cada um dos participantes. Lembramos a todos que a entrada é gratuita para todas as atrações e o Centro Cultural Jabaquara fica na Rua Arsênio Tavolieri, 45, próximo ao Metrô. Aguardamos você!


3/jul


15h - Quebrando Barreiras - Diuly Leite



Saindo do trabalho, não importa o que se veste, no calor da dança qualquer roupa serve.
Duração: 5 minutos | Classificação: livre


15h30 - O Advogado de Deus - Cia Teatral Ligia Loschi

Vivemos em uma sociedade onde o apego material virou status, o importante é ter e não ser e esquecemos de coisas simples e da razão real da nossa essência humana; a compulsão consumista e material nos distancia do real propósito de viver. O texto fala sobre o desprendimento, sobre o não merecimento de encontrar a Deus, versa sobre o poder que temos em julgar e não reconhecer os nossos próprios erros, reflete sobre o amor e a rejeição. Trata-se de um melodrama do mundo real. A direção e roteiro do espetáculo é de Ligia Loschi e sua duração é de 60 minutos.




17h - Florandu Acordes

Formado em 2010 por amigos da zona Leste da cidade de São Paulo que adoram cantar e tocar juntos, o FLORANDU ACORDES tem como proposta artística musical enfatizar arranjos harmônicos explorando acordes, criando melodias agradáveis levando aos ouvintes um som que acaricia o coração, reforçando a musicalidade brasileira e além-fronteiras. Seu repertório faz um passeio pelo universo musical passando pela MPB, pelo balanço do Samba Rock e Soul Music, com direção e arranjos de Fred Santana. Duração: 50 minutos. Classificação: Livre.









10/jul

14h - Brasil Sem Censura - Cia Unidos pela Dança


O espetáculo BRASIL SEM CENSURA retrata diversas situações que nosso país vivenciou e outras tantas que vivencia atualmente. Como o próprio nome diz, a atração tem por objetivo atingir de alguma forma pessoas de todas as faixas etárias, transmitindo e divulgando a cultura brasileira por meio de sua dança e música. Duração: 90 minutos. Classificação: Livre.

15h30 - Mano Money's

Mano Money's é MC e está na caminhada do rap desde 2007 quando começou suas atividades sonoras junto ao coletivo Arterima. Atualmente, o rapper se empenha na propagação do seu trabalho solo recentemente lançado, intitulado "Manutenção dos Fatos", que trata da resignificação das ações realizadas por nós em nosso dia a dia, a manutenção dos atos: um bom dia reprimido, um poema encravado ou mesmo um palavrão.
"Filmo filmes com o olhar e faço do cérebro um arquivo, os exibo quando rimo". Duração: 40 minutos. Classificação: Livre.

16h30 - Em Busca de Sofia

Banda de indie-folk alternativo recém-formada que, com músicas autorais, tenta passar mensagens de esperança, amor e mudança. Com letras simples e acordes que qualquer um pode acompanhar, eles tentam se aproximar do público com temas que falam do cotidiano e questões comuns a qualquer ser humano. Sofia, do grego σοφία, significa sabedoria, que reflete o anseio da banda por sempre ir atrás do desconhecido. Duração: 30 minutos. Classificação: Livre.



18h - Ôtovinu - Palhaço Fusquinha de Porta Aberta

Um legítimo espetáculo de variedades de circo, porém sem a lona, na rua e somente com um palhaço. Fusquinha de Porta Aberta apresenta seus números cômicos, virtuosos e picaretas, como malabarismo, mágicas, acrobacias e palhaçadas. Conta com a interação especial do principal integrante do show, o público, que participa do início ao fim. Com incrementada sonoplastia e música, é um espetáculo para todos: a família, o trabalhador, a criança, o bêbado e até o cachorro. Duração: 40 minutos. Classificação: Livre


18h30 - Mobral - Vidraça Cia de Teatro

MOBRAL nasce da uma necessidade da companhia teatral em estabelecer questionamentos sobre a Educação. Os atores do espetáculo atuam como arte-educadores e vivenciam diariamente as carências e atrocidades no ambiente educativo, acompanhadas do contexto histórico cultural cercado das dificuldades no país. Mais do que achar culpados perante às questões críticas do sistema escolar, a peça se propõe a dialogar, refletir e mostrar o quanto estamos desprotegidos e equivocados, conduzindo o público a um direcionamento em que é possível quebrar muitos paradigmas com relação ao tema de forma simples, lúdica, divertida e eficaz, respaldados nos grandes ícones da educação mundial. O nome MOBRAL originalmente significa "Movimento Brasileiro de Alfabetização", ação criada na época da ditatura militar, entre os anos de 1967 a 1984. A Vidraça pede licença poética para dar uma nova interpretação ao acrônimo, criando uma ponte a todos que prestigiarem o espetáculo com uma linguagem épica e que estimula a rever conceitos sobre nossa formação escolar. Duração: 55 minutos. Classificação: Livre.


17/jul

14h - Sobre Amor e Essas Coisas - Nélida




Nélida vem trabalhando o tema Amor e Desilusões Amorosas em seu repertório como intérprete, em suas composições e em seus textos, a fim de pesquisar e sedimentar vivências na concepção e finalização de seu primeiro CD solo e autoral+show de lançamento. Esta apresentação é uma das fases desta pesquisa, sendo uma abertura de processo. Trata-se de show carregado de sentimentos e performance, onde será impossível não se emocionar.
Piano, percussão e voz. Duração: 45 minutos. Classificação: Livre.






15h - O Funeral - Cia Vida em Ação

Após o falecimento da senhora Carmem Fortunato, os amigos e familiares se reúnem no velório para prestar a ela suas ultimas homenagens. Porém, tudo se modifica quando se dá inicio a partilha de bens. Duração: 10 minutos. Classificação: Livre.


15h30 - A Vida Íntima de Gabriela - WM'S Cia de Artes e Dança

Gabriela, uma retirante de Ilhéus, na Bahia, vê sua vida transformada ao vir para São Paulo junto à sua mãe viciada em rapadura, montada em um burro, à procura de sua irmã perdida. Uma garota inocente de sensualidade sem malícias, Gabriela leva ao público uma interatividade com 100% de alegria. O projeto usa o teatro popular para triangular esta história de mais um nordestino que se aventura no sul. Uma adaptação livre sobre a personagem “Gabriela”, imortalizada na obra de Jorge Amado. Duração: 15 minutos. Classificação: Livre.


16h - E Lá Vou Eu - Cia Os Desconhecidos


E Lá Vou Eu traz algumas situações do cotidiano em que são apontadas as heranças da escravidão na atualidade. De uma forma cômica, o grupo faz com que o público se pergunte: será que a escravidão acabou ou apenas mudou o nome? Duração: 40 minutos. Classificação: Livre.

17h - Mulher Inteira - As Marcelinas (Oficinas Culturais da Secretaria de Cultura de Barueri)


Escutar e ouvir as mulheres, falar com elas e para elas, falar com elas e sobre elas: esta é a proposta do espetáculo “Mulher Inteira”. Com um elenco formado apenas por mulheres, a peça tem como ponto de partida a pergunta “O que é ser mulher?”. Compondo uma dramaturgia ampla sobre a realidade da mulher hoje, são abordados temas como violência, aborto, mitologia, encontro de gerações, relacionamentos, trabalho e autoestima. Realizado pelas Oficinas Culturais da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri, este é o segundo trabalho do grupo carinhosamente conhecido como “As Marcelinas”, que estrearam em 2014 com “Chá das Marcelinas”, peça baseada nos contos de Marcelino Freire. 

Sob a direção de Eduardo Sena e Adriane Rocha, o elenco conta com Beatriz Barros, Bruna Medeiros, Daiana Costa, Daniela Siqueira, Danny Prestes, Everci Mariano , Joyce Magalhães, Lourdes Porto , Luna Marcel , MaLu Galvão, MaVi Silva, Samantha Ribeiro e Yuri Batista. Kris Nascimento é voz e violão e a dramaturgia tem Daniele Ricieri e Maysa Lepique (Cia. As Atuadoras), Victoria Santa Cruz e Cláudia Schapira como responsáveis. Os figurinos foram confeccionados pelo Núcleo de Costura da Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri.


18h - Sessão Delivery - Grupo Teatro Delivery




A "Sessão Delivery" é composta por seis peças curtas criadas e interpretadas pelos atores Roberto Borenstein e Luciano de Faria: "A Taste of Shakespeare", "Amando Amanda", "Saudades", "Uma Menina na Estrada", "O Hacker do Amor" e "Uma Outra Menina na Estrada". Duração: 60 minutos. Classificação: Livre.





24/jul

14h - Música Entre Palavras - Silvana Si

Nascida em 1970 com piano em casa, Silvana Si tem sua mãe como primeira professora. Com ela, fez seus três primeiros anos de estudo intenso. Os quatro anos seguintes foram no Conservatório Musical de Rio Claro. Depois disso, tornou-se autodidata em composição. Desde cedo quis tocar do seu jeito. Mas partiu do café com pão para chegar nas Sonatas de Beethoven.
Nem virtuosa nem popular. Encontrou seu lugar na criação musical. Entre uma composição e um estudo, entre um ensaio e uma apresentação, a artista dá aulas de piano para iniciantes e traz, neste musical com sarau, uma mescla de suas composições com textos literários. Direção e adptação: Carlos Amorim. Duração: 50 minutos. Classificação: Livre.


A Ordem do Caos também estará presente com seus trabalhos na 11ª Mostra, por meio das peças de conclusão de seus estudantes e duas montagens: o emocionante O Rouxinol e a Rosa e o clássico Escrevendo Eu, numa remontagem imperdível do texto de Eduardo Silva.

História, memória, tradição: brincador de boi e a preservação da identidade brasileira

Por Tamires Santana




O Brasil é um país festeiro!

De janeiro a dezembro existem no calendário comemorações e rituais populares de norte a sul deste país. É festa popular jorrando pra tudo quanto é lado. Haja disposição e economias financeiras para acompanhar o ritmo.

Normalmente não temos ideia da proporção da riqueza cultural que nossa identidade é formada. Só o fato de pen-sar-mos que a nacionalidade do brasileiro é composta por índios, brancos e negros, um portal paralelo é aberto e dentro surge um universo enorme de crenças, costumes e diferentes visões de mundo, que ficam lá, flutuando, aguardando mentes e corações abertos mapearem e se reconectarem com a vastidão cultural.

Mas enquanto poucos entram no portal, trataremos aqui sobre festividades que se baseiam em mitos que tem o Boi como narrativa básica central, ligando a um enredo e outros personagens.

Basicamente, a lenda do Boi-Bumbá ou Bumba-meu-boi mais aderida Brasil afora, conta a história de uma escrava chamada Catirina (ou Catarina), que estava grávida, e a qual pede ao marido Chico (Pai Francisco - em algumas versões se chama Mateus) para comer língua do boi preferido do amo. O escravo atende ao desejo da esposa. Quando o fazendeiro descobre, chama pajés e curandeiros para salvar o animal, que acaba ressuscitando.

Por causa desta morte e ressurreição surgem diferentes homenagens, danças, cortejos, indumentárias, temas e nomes. Em Pernambuco é chamado boi-calemba ou bumbá; no Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas e Piauí de bumba meu boi; no Ceará, é conhecido por boi de reis, boi-surubim e boi-zumbi; na Bahia, boi-janeiro, boi-estrela-do-mar e mulinha-de-ouro; em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Cabo Frio e Macaé (em Macaé, há o famoso boi do Sadi) é bumba ou folguedo-do-boi; no Espírito Santo é boi de reis; em São Paulo é boi de jacá e dança-do-boi; no Pará, Rondônia e Amazonas, é boi-bumbá ; no Paraná, em Santa Catarina, é boi-de-mourão ou boi-de-mamão; no Rio Grande do Sul é bumba, boizinho ou boi-mamão.

Tem boi pra todo mundo, tanto que atualmente o Bumba Meu Boi, especificamente registrado com este nome, é tombado como patrimônio cultural do Brasil pelo Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

É mais fácil um boi voar do que…



Sobre seu surgimento no Brasil, contos e lendas são os principais oradores, mas não se debruçam em uma fundamentação histórica. De forma oficial, de acordo com estudos, a primeira vez que o boi foi usado para brincar com o imaginário popular foi no estado do Piauí.

Ocorreu que cansado de esperar por recursos prometidos pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para a construção da ponte que ligava Recife à cidade Maurícia, e após o envio de carta do Conselho dos XIX à Amsterdã, a qual dizia, em tom irônico, a falta de notícias sobre a ponte e a crença de que a mesma nunca seria terminada, o Conde Maurício de Nassau encarrou o ocorrido como um desaforo, vindo a construir com recursos próprios a obra.

Dentre as grandes obras desenvolvidas pelo Conde, a ponte construída sobre o rio Capibaribe demorou três anos para ser realizada. Devido à demora, o povo dizia que “era mais fácil um boi voar do que a ponte ser construída”. No entanto, no domingo, 28 de fevereiro de 1644, o empreendimento foi concluído.

Na inauguração, o Conde de Nassau, por sua vez, resolveu brincar com o imaginário dos moradores, além do interesse em obter um maior número de pessoas pagando pedágio no local, pois necessitava de uma devolutiva do que foi gasto. No dia da sua inauguração, João Maurício anunciou que um boi manso, pertencente a Melchior Álvares, iria voar. O episódio, denominado Boi Voador, foi narrado pela testemunha ocular frei Manuel Calado em sua crônica "O Valeroso Lucideno", também publicada em um jornal de Recife (PE) no ano de 1840.

“Para a festa, para a qual foram convidados os membros do Supremo Conselho, mandou abater e esfolar um boi, e encher-lhe a pele de erva seca, tendo posto esta encoberta no alto de uma galeria que tinha edificada no seu jardim. Pediu a Melchior Álvares emprestado um boi muito manso que aquele tinha, e o fez subir ao alto da galeria e, depois de visto pelo grande número de pessoas presentes, mandou-o fechar em um aposento, de onde tiraram o outro couro de boi cheio de palha, e o fizeram vir voando por umas cordas com um engenho, para grande admiração de todos. Tanta gente passou de uma para outra parte da ponte que, naquela tarde, rendeu mil e oitocentos florins, não pagando cada pessoa mais que duas placas à ida, e duas à vinda.”

Se por um lado existem dezenas de nomes para nomear as festividades que tem como figura principal a presença de um boi, igualmente ocorre com o formato das comemorações.


Folguedos de bois


Grupo de Cavalo Marinho Estrela Brilhante, de Pernambuco, com Boi 
de Mamão Arreda Boi, da Barra da Lagoa (PB).

Os folguedos são festas de caráter popular cuja principal característica é a presença de música, dança e representação teatral. Vicente Salles (1970) ligou o folguedo à presença do negro na Amazônia. O bumbá teria se estruturado na primeira metade do século XIX, antes da revolta popular da Cabanagem, numa época de precária estabilização do regime escravista na região e teria resistido à desorganização do regime servil, espraiando-se pela sociedade. De fato, já na primeira metade do século XIX, breves notícias em jornais ou relatos de viajantes registraram o folguedo em São Luís (Maranhão), Óbidos e Belém (Pará) e Manaus (Amazonas). Sua designação já era clara: um "bomba" ou "bumbah". Palavras de expressiva etimologia cuja ambivalência vale assinalar: bumba ou bumbá = surrar, bater e dançar (Cascudo, 1984).

Na Zona da Mata Setentrional de Pernambuco, Alagoas e agreste da Paraíba, o folguedo Cavalo Marinho acontece entre julho e janeiro, com destaque para os dias de natal, ano-novo e dia de reis. No interior, para o norte do Recife, apresenta-se durante a safra da cana-de-açúcar. Apesar de ser uma variação do Bumba meu boi, tem características próprias, é um auto que reúne cenas dramáticas, música, dança, fantasias e poesia (loas) improvisada. Apesar de atualmente mulheres participarem, tradicionalmente os brincantes são homens e a dança geralmente é passada de pai para filho. O acompanhamento musical fica por conta do banco, um grupo de músicos que tocam Rabeca, Pandeiro, Bage (Reco-reco) e Mineiro (Ganzá) e as danças são diversas, como mergulhão (maguião), São Gonçalo e coco.

O folguedo acontece ao longo de uma noite inteira e só ao raiar do dia é que surge o boi, já na sequência final da brincadeira. Na encenação dos personagens, estariam representando uma crítica às relações hierárquicas definidas através das relações de exploração entre patrão e empregado ou, pelo contrário, apenas reproduzindo e reafirmando tais relações.

“O enredo do Cavalo-marinho concentra-se em torno do Capitão, um proprietário rural. A história conta que o Capitão faz uma festa em homenagem aos Santos Reis do Oriente e chama os Nêgos Mateus e Bastião para tomar conta da festa, iniciando assim a brincadeira. No auto, o Capitão Marinho representa o senhor do engenho; Mateus e Bastião os negros, os escravos ou trabalhadores; os galantes e damas são as elites que vêm para a festa; o soldado é o representante da lei; o boi é um elemento constante para o homem do campo.”

Apresentação de boi de reis em Rio Tinto (PB)

Já o folguedo Reis de Boi é uma manifestação popular do folclore religioso brasileiro que une as temáticas dos Santos Reis com o Bumba-Meu-Boi. Originário do Teatro Medieval de Rua, da Península Ibérica, ocorre no Espírito Santo e apresenta-se durante o ciclo de natal, prolongando-se até 3 de fevereiro (dia de São Braz), sendo reapresentado no dia 20 de Fevereiro (dia de São Sebastião). Atualmente, segundo a Prefeitura mateense, existem cerca de onze grupos de Reis de Boi na cidade, os quais apresentam-se na "tenda cultural" Verão Guriri, em festas de comunidades e festividade do aniversário da cidade de São Mateus (SC).


Ninguém sabe informar sobre a criação do Reis-de-Boi; dizem apenas que ‘tudo começou com o nascimento de Cristo’”.


Além destes folguedos, há ainda outros como: Boi Pintadinho (ocorre em algumas localidades de Minas Gerais, no sul do Espírito Santo e Rio de Janeiro), Boi Tinga (ocorre na cidade de São Caetano de Odivelas, no nordeste do Estado do Pará), Boi-de-Mamão (ocorre em Santa Catarina), entre outros.


Boi que fala

Em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP), a Festa do Boi Falô, criada em 1988 pelo subprefeito Attilio Vicentin e o empresário Gilberto Antoniolli, realiza uma grande macarronada pública servida a todos os presentes, nas sextas-feiras santas, para relembrar a lenda local.

“Conta a história que numa Sexta-feira Santa, um capataz da Fazenda Santa Genebra ordenou a um escravo que fosse buscar alguns bois que estavam deitados num local conhecido como Capão do Boi (atualmente bairro Jardim Santa Genebra II), mas ao chegar ao local para tocar os bois, um dos animais recusou-se a levantar-se. Ao ser açoitado pelo escravo, o boi disse: “hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Senhor Jesus Cristo!“. O escravo, aterrorizado, voltou à sede da Fazenda e contou ao capataz o ocorrido e o próprio foi ao local concluir a tarefa e também ouviu o boi falar.”


A maior ópera a céu aberto da América Latina


Ritual Xamânico Kaxinauá do Boi Caprichoso em 2010


O Festival de Parintins é a potência do que se refere ao folclore brasileiro. Realizado na cidade de Parintins, situada na ilha Tupinambarana, no Amazonas, é a maior ópera a céu aberto da América Latina, a fonte de conhecimento do Carnaval carioca e paulistano para produzir as toda a ousadia alegórica. A apresentação consiste no duelo entre as agremiações Garantido (boi branco, cujas cores emblemáticas são o vermelho e o branco) e Caprichoso (boi preto, cujas cores emblemáticas são o azul e o branco).

Conta a tradição que o Boi o Garantido foi criado em 1913 por Lindolfo Monteverde, fruto de uma promessa. Aos 11 anos de idade, Lindolfo, muito doente, prometeu a São João Batista que se curado, colocaria um boi todos os anos para homenagear o santo. Garantido também é conhecido por “Boi de Promessa”, “Boi do coração” e “Boi do Povão”.

Já com relação ao ano de criação do boi contrário, o Caprichoso, há muita controvérsia, uma vez que existe extrema rivalidade, fazendo com que ambas as entidades busquem se afirmar como a mais antiga, o que leva seus torcedores e integrantes a defenderem teses que sugerem datas de fundação mais remotas. Segundo site oficial do Caprichoso o boi foi fundado por João Roque, Félix e Raimundo Cid, em 20 de outubro de 1913. Os três fundadores seriam irmãos, nascidos em Crato (CE) e se mudaram para Parintins devido ao Ciclo da Borracha. Conta a história que os irmãos Cid ao mudarem-se para a ilha, sequiosos por recomeçar uma nova vida, fizeram promessas a São João Batista. Ao ter seus desejos realizados, a promessa foi cumprida: confeccionara um “boi”, feito de pano, e ofereceram a São João Batista. As cores azul e branco são típicas dos trajes usados pelos Marujos. Foi batizado por Caprichoso em alusão a “aquele que capricha”, é teimoso e obstinado. Também é conhecido como boi galante, diamante negro, touro negro e boi da estrela.

Na região, outros bois são lembrados, mas apenas esses dois resistiram. Em Parintins, metade da cidade é vermelha (oeste) e a outra metade azul (leste), e o monumento divisor é a Igreja Nossa Senhora do Carmo.

Em seu início, o festejo acontecia nas ruas da cidade, nos dias dos santos juninos. Não se destacava dos demais folguedos existentes, como as quadrilhas juninas e as pastorinhas natalinas. A partir de 1965, o boi começou a ser protagonista da atração, vindo se apresentar no tablado e a expressar-se através de uma padronização artística que não parou, desde então, de se sofisticar. Em 1988 o tablado ganha novas estruturas, tornando-se arena Bumbódromo (olhando de cima tem forma da cabeça de um boi).

Ritual Fera de Fogo do Boi Garantido em 2014

Entre muitos fatos interessantes que rondam o evento:
  • Apesar das gigantescas alegorias metálicas, tudo é movido de forma manualmente por pessoas. 
  • Antigamente se matava o boi mais bonito e usava a cabeça do mesmo para montar a vestimenta do item principal, o boi, chegando a pesar em média 40 quilos. Hoje, graças ao artista Jair Mendes, a fantasia, conhecida por “boi biônico”, mexe diferentes partes, é feita de massa, espuma, madeira, entre outros materiais e pesa em média 14 quilos. 
  • Marcas como Coca-Cola, Santander, etc., que tem como cores o vermelho em seus logos, nesta região, comercializam suas embalagens na cor azul para não perder uma fatia do mercado. 
  • Os ritmistas cantam e tocam toadas, com letras falando sobre lendas e mitos da floresta amazônica e do tema escolhido. 
  • A festa atrai turistas de todos os cantos do país e também do exterior. 
  • Cada equipe é composta por mais de três mil pessoas 
As apresentações são avaliadas pelas histórias contadas, conforme o tema escolhido por cada agremiação anualmente, levando em consideração a evolução dos 21 itens: apresentador, levantador de toadas, batucada (ou marujada), ritual indígena, porta-estandarte, amo do boi, Sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga, boi-bumbá (evolução), toada (letra e música), pajé, tribos indígenas, tuxauas, figura típica regional, alegoria, lenda Amazônica, vaqueirada, galera, coreografia e organização do conjunto folclórico.

O Festival de Parintins ocorre todos os anos no último final de semana do mês de junho. Esse ano será realizado nos dias 24, 25 e 26 de junho, a partir das 21h. É transmitido ao vivo pela TV A Crítica (filial da Record) e os assinantes NET podem conferir em pay-per-view.
Fontes de pesquisa

Cavalo Marinho
http://wikidanca.net/wiki/index.php/Cavalo_Marinho
Folguedo Reis de Boi (ES)
http://www.clednews.com/2010/12/o-autentico-boi-de-reis-de-cuite-e.html
http://www.cnfcp.gov.br/tesauro/00002040.htm
Folguedo Cavalo Marinho http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1300673501_ARQUIVO_Textocompleto.pdf
http://cavalomarinho6a.blogspot.com.br/
Folguedos
http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/a-festa-em-perspectiva-antropologica-carnaval-e-os-folguedos-do-boi-no-brasil
Festival de Parintins
http://www.cultura.rj.gov.br/artigos/a-festa-em-perspectiva-antropologica-carnaval-e-os-folguedos-do-boi-no-brasil
http://www.portaldomarcossantos.com.br/2012/06/27/confira-todos-os-itens-que-disputarao-os-votos-dos-jurados-este-ano/
Tamires Santana, 26 anos, é empresária de Bonga Produções, jornalista de formação e designer gráfico de paixão. Trabalha na área de criação e conteúdo em projetos culturais e educacionais voltados à arte urbana e o graffiti. Seu trabalho pode ser conferido em http://tamisantana.wix.com/oficial

20/06/2016

Arriscar-se é preciso

Por Sheila Borges



Nessa vida passamos por caminhos tortuosos que nos fazem pensar e ir além. 
O medo aparece e as incertezas se fazem presentes. 
Porém, devemos olhar e seguir em frente, pois as melhores vitórias são aquelas em que tivemos obstáculos. 


Portanto, arrisque-se!


Sheila Borges é fotógrafa formada em Produção Audiovisual e Maquiagem Cênica. Membro atuante de diversos projetos culturais, é uma grande apreciadora do cinema em geral. Ela escreve para o AODC Notícias mensalmente. Aprecie imagens que captam sentimentos, cotidiano urbano e muita arte em Sheila Borges Fotógrafa.

12/06/2016

Tá na hora! Electronic Entertainment Expo 2016

Imagem: divulgação página oficial E3 no Facebook
Estamos a alguns dias da E3 - Electronic Entertainment Expo 2016, talvez a mais importante feira sobre games do mundo e, como todos os anos, poderemos conhecer as maiores novidades que as grandes empresas de entretenimento têm pra nos apresentar.

A E3 deste ano deve ser bem intensa e reveladora: estamos prestes a conhecer as tais versões atualizadas dos consoles da nova geração. O recém confirmado PS4K - ou PS4NEO - pode ter suas especificações anunciadas apesar dos diretores garantirem que ainda não é a hora de revelá-las (será?). Junto à versão turbinada do aparelho, a Sony deve mostrar bem mais sobre seus óculos de realidade virtual que estão pra chegar às lojas ainda em 2016.

Ainda sobre a empresa japonesa, existem expectativas de grandes revelações como o novo game da Santa Mônica, produtora de God of War, que ainda está em produção. Ainda não se sabe se será um novo game de Kratos ou até mesmo o inicio de uma nova franquia ou, como dizem os rumores, um novo GOW sem Kratos. Vamos aguardar.


Quem deve dar as caras novamente é The Last Guardian. O game, que está quase chegando ao nível de produção de Duke Nuken Forever, era pra ser produzido ainda para o PS3, mas foi adiado muitas vezes. Ele deve chegar mais polido, já que teve demonstração ao vivo de gameplay na ultima edição da feira

Watch_dogs2 deve ser o grande momento da Ubisoft
Outro exclusivo de peso do PS4 que deve aparecer, já que foi anunciado ano passado, é Shenmue 3, a continuação do clássico do Dreamcast que fez os aparelhos da Sega empoeirados valerem uma graninha. Horizon Zero Dawn, também apresentado em 2015, foi adiado para 2017, mas possivelmente deverá ganhar algum destaque.


A Microsoft não pretende ficar atrás. Com muitos anúncios ano passado, a empresa americana deve ganhar ainda mais espaço este ano. Assim como a Sony, também deve anunciar suas versões de Xbox One "atualizadas", no plural, já que no caso da MS existem rumores de duas novas versões: uma mais parruda e outra compacta, sem leitor de disco. Um novo dispositivo que seria um concorrente ao Chrome Cast e à Apple TV também pode ser apresentado na Expo. A HoloLens, assim como o PSVR, deve ganhar algum espaço.

No que diz respeito a games, os principais destaques devem ser Crackdown 3, que já apareceu em 2015, além dos comentários sobre um possível Halo Wars 2. Gears of War 4 pode ser um grande exclusivo a chegar em breve, assim como um novo Forza Horizon, já que ano passado foi lançado o Forza 6. Sea of Thieves, game da desenvolvedora da Rare, pode voltar com mais detalhes.

Injustice 2 pode consolidar a franquia que se tornou um arco importante do Universo DC Comics
A Nintendo novamente participa da E3 meio que não participando, pois a amada empresa que tem tantas franquias lendárias, como Mario Bross, Donkey Kong, Metroid e Zelda, nos últimos anos tem preferido um streaming ao vivo. Somente um game play de um novo Zelda deve ser apresentado. O tal revolucionário Nintendo NX deve ser mostrado apenas no final do ano.

Outros games de produtoras multiplataforma poderão aparecer. Alguns já foram anunciados, como Watch_Dogs2 da Ubisoft e Battlefield 1 da EA, que também deve revelar um novo Star Wars (espero que se inspirem no 1313) além, é claro, dos games de esporte com destaque pro FIFA 17, que provavelmente irá utilizar o impressionante motor gráfico Frostbite, aplicado em Star Wars: Battlefront, que é realmente muito belo. Os já anunciados Injustice 2 e The King of Fighters 14 devem ganhar mais detalhes; o segundo, inclusive, já deve ter demonstrações jogáveis aos gamers presentes na feira.

A E3 2016 tem inicio dia 12 de Junho, às 17hs (horário de Brasília), com a conferência da EA.
Imagens: Watch_dogs2 - Facabook oficial Ubisoft Brasil. Injustice 2 - Facebook oficial Injustice.


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