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11/05/2016

Hip Hop Cultura de Rua:­ um livro de Keseone & Raul Dias

Por Tamires Santana
Registrar é resistir.

Vivenciar o fato, eis ainda a maior das experiências humanas. No entanto, é o seu registro a melhor maneira de evitar que o fato se perca nas profundezas de uma curta memória e na correnteza de uma extensa linha do tempo.

Da esquerda para direita: primeira edição do livro por Kaseone & Raul Dias e segunda edição por Kaseone & MC Who?
Ainda que registrar o presente tenha se tornado algo corriqueiro ­ o que por um lado dá voz à democratização do discurso visual e por outro ocorre o excesso de conteúdos e uma banalização da memória de nossa época, é sabido que nem sempre foi assim... Se hoje a discussão gira em torno dos excessos, nas gerações passadas o acesso a equipamentos ou à facilidade em preservar os registros (fotográficos, escritos, visuais e orais) era algo raro. E esta raridade abre espaço até hoje para um sentimento de novidade, preenchido pelo “nossa, não sabia” ou pelo clima de nostalgia.

Do acervo iconográfico ao destino dado a ele, a questão é: uma vez existente um registro, ele se torna uma extensão da memória e ter memória faz toda a diferença para reforçar uma obra. Escrito e reescrito, o livro Hip Hop Cultura de Rua  revela as raízes do hip hop de São Paulo; e agora, em sua segunda edição, de outras partes do Brasil. De autoria de Kaseone e MC Who? (é com interrogação mesmo), ganhou mais 97 páginas para indicar a trajetória de estados como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Goiânia, assim como também fala a respeito da importância histórica do filme “Beat­Street” (1984) para a cultura de rua e o percurso do hip hop, sobretudo o rap, para as periferias e o diálogo aberto com o Brasil.

Fotos de Criolo, Mano Brown, Edi Rock, DJ KL Jay, Sharylaine, Grupo Sampa Crew, Bonga, Dina Dee etc., além de recortes de noticiários e imagens de eventos, podem ser conferidos na publicação e dão riqueza de detalhes à pesquisa. O livro foi realizado sob incentivo do edital VAI junto à Prefeitura de São Paulo (Secretaria de Cultura) e possui um site criado por Kaseone HHB Studio, disponível em https://www.hiphopculturaderua.com.br, canal de comunicação que amplia a pluralidade do movimento abordada na versão impressa.

Tamires Santana, 26 anos, é empresária de Bonga Produções, jornalista de formação e designer gráfico de paixão. Trabalha na área de criação e conteúdo em projetos culturais e educacionais voltados à arte urbana e o graffiti. Seu trabalho pode ser conferido em http://tamisantana.wix.com/oficial

16/11/2013

Eu me desenvolvo e evoluo com o meu filho! Eu me desenvolvo e evoluo com o meu pai!

Por Carol Zanola

Ai o Rap! Como nos faz pensar em tantas questões esquecidas, como nos ensina.

O estilo não está preso em uma casa de show, nem só a um Cd, ele é livre, voa e passa a sua mensagem. Mostra muito além do que os nossos ouvidos podem ouvir e os nossos olhos podem enxergar. Revela uma cultura discriminada por grande parte da população: a cultura negra, a narração de histórias, ou seja, a voz da minoria.

O termo cultura pode ser designado como um conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de uma dada civilização ou povo, podendo se referir à literatura, cinema, arte, dança, etc. Acaba sendo muito importante para a compreensão de diversos valores morais e éticos. Afim de guiar o comportamento social, dando a forma de adaptação do Homem às condições de existência, o modo de agir, costumes e instruções de como se adaptar aos demais ambientes, é um processo que vive em constante evolução do desenvolvimento de um grupo social.

Na periferia se produz cultura com diversos significados e mídias. Mostrando em letras garrafais que “O BRASIL NÃO É UM PAÍS DE TODOS”. Que não é fácil com as condições sociais e econômicas permitir o acesso a chamada "cultura culta e erudita", mas com essas dificuldades e necessidades acabam por estimular a criatividade e a emergência da cultura e arte popular. E que maravilha ouvir, ler, e ver as cores da nossa gente. Acabar experimentando de uma cultura tão diferente daquela que vemos estampadas em outdoors, propagandas e jornais. É uma experiência para ser vivenciada. 

Trecho da música “Subirusdoistiozin” - Criolo

“Leva no sarau e salva essa alma ai…”



Carol Zanola é assistente de arte. Tem formação superior em Produção Multimídia. Apaixonou-se logo cedo pelo cheirinho de jornais e revistas e nunca dispensa um belo café. Estudante da Oficina de Teatro 2013, do grupo A Ordem do Caos.

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