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26/08/2011

Entender?



Por Eduardo Andolini

É impossível não reconhecer a importância do cineasta Glauber Rocha para o Brasil e para o mundo. Entretanto, sua visão apaixonada pelos filmes, fazendo do cinema arte, e nada menos que arte, por meio de seu conteúdo político explicito e seus conceitos sempre muito a frente de seu tempo, são discutíveis. Discussão que hoje, 30 anos após sua morte, poderia ser debatida sem chegarmos a uma conclusão. o que Glauber fez há tanto tempo sem chegar a uma conclusão.

Seu último longa, A Idade da Terra, é um grande exemplo e resume bem o que era o cinema para o diretor: a ausência total de um roteiro, um filme pra ver e ouvir, que não conta uma história, segundo o próprio Rocha.

E por que assistir a um filme se ele não conta uma história? A resposta seria algo como: Por que ver um quadro? As idéias estão ali, para serem captadas conforme o astral da pessoa que assiste. Assim como elas, as imagens foram realizadas com um método e objetivos parecidos.

Eu, particularmente, não tenho certeza se o próprio Glauber entendia o que ele estava fazendo, se sabia da dimensão que isso tudo teria. Mesmo 30 anos depois de colecionar admiradores por todo mundo, por estudar um pouco de sua trajetória  eu não consigo imaginá-lo vivendo nos dias de hoje e fazendo cinema. A indústria que ele tanto combateu e criticou tomou conta de tudo. Não existe, no cenário atual, nenhum cineasta com a sua audácia, criatividade e loucura.





"Sem linguagem nova não há realidade nova."

Glauber Rocha