Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens

25/10/2014

Selva de Pedra

Por Beatriz Xavier



Abre-se a porteira, sai à boiada. 
Os animais estouram, transbordam pelas beiradas, 
desesperados pela liberdade.


O primeiro boi, muito bonito por sinal, tem seus óculos arremessados ao chão.
O que seria os óculos? Um bem material que ajuda os olhos a verem o verdadeiro mundo? Mas até quando a visão fornecida por esse interessante invento é verdadeira? Até quando a visão de nossos olhos é verdadeira?

Estação da Luz


Pense, quantas coisas deixamos de ver, pois usamos um par de invisíveis óculos, um óculo cultural/social que nos ensina como devemos enxergar! Se vemos o azul do céu é porque o céu nos foi apresentado azul, mas na realidade, jamais saberemos a sua verdadeira cor.


Portanto, o que a boiada pisoteava constantemente, ignorando os lamentos do boi, era apenas um par de óculos que ficava por cima de outro.



Fonte da imagem: Estação da Luz


Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

11/10/2014

Transporte Público

Por Beatriz Xavier


Levantou relutante, mas não possuía opção. Fulana, como tantas outras, lutava todos os dias para não ir trabalhar. Não que o trabalho fosse ruim, muito pelo contrário, amava a profissão que escolheu, amava mais ainda as pessoas que com ela dividia aquele aconchegante espaço.



Fulana, sim Fulana. Morria um pouco quando levantava da cama. Morria um pouco quando no meio da rua, ao lado de um palito de dente gigante – de coloração amarelada – estendia o braço para dar sinal ao nada. Lotação.

Espremida, seguia sufocada, morria ali mais uma vez. Subia as escadas de degraus separados a passos largos, mais um dia, e novamente as escadarias que levariam ao céu estavam com suas esteiras quebradas. Morria Fulana mais uma vez.

Morria quando entrava na estranha minhoca recheada de vermes que se espremiam sem nenhuma educação, empurravam, urravam, falavam uns com os outros de maneira ensurdecedora. Morria, morria. Morria mais um pouco e lutava para não morrer!

Saia, empurrada, como um almoço mal digerido pelas laterais da cruel minhoca, seguia para outra e outra, e outra. Até enfim chegar ao trabalho.

Quando passa a porta, morre. Morre Fulana. Morre exausta, pensa “se eu morasse perto, se perto de mim tivesse trabalho, se perto de mim eu pudesse existir, se existir pudesse perto de mim”. E morre, morre Fulana. Morre esperança, morre futuro, morre Fulana, até que um dia morre de verdade e se torna verme. Verme espremido no interior de uma minhoca.

imagens:http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/metrosp_lotado.jpg
http://img.estadao.com.br/fotos/5D/1A/3E/5D1A3E08727F499A92054E47A731BC70.jpg

Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

27/09/2014

Humanidade

Por Beatriz Xavier



Corre o homem. Corre de quê? Corre do quê?
Corre o rato do gato, o gato do cão, o cão do homem e o homem da humanidade.

Em plena cidade as feras desfilam fardadas esquecendo-se, por um segundo, o fardo que os enfada. Mas essas são Feras, Feras que fogem, fogem de outras, e outras, e outras. Feras que vivem do falso discurso. Mal treinadas, produtos de uma produção de má qualidade fornecidos pelo estado. São feras, Besta Feras, não mais humanos.

Poderia dar todas as culpas às feras se essas não fugissem de outras, e outras, e outras e infinitamente outras, possuindo dessa forma o Medo.

O Medo que nos cega! Medo que faz com que no desespero e ausência de preparo encontremos a pior das soluções. Faz com que digamos as palavras mais duras e tomemos as ações mais irracionais.

Medo
Tormento do rato, do cão, do homem e da humanidade.






Imagem: http://memento.home.sapo.pt/pequenos/tn/goya-homem_carregando_fardo.jpg.html


Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os  doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seuu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

Instagram

>

Não deixe de conferir:

Oficina Teatral 2022 - CEU PQ Bristol

Depois de muito tempo parados por conta da pandemia de Covid-19, finalmente estamos de volta com a oficina teatral gratuita. Agora em um no...