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22/04/2015

Brilho nos olhos

Por Danilo Moreira



Acho bonito ver gente motivada e buscando realizar seus sonhos. Outro dia, ao embarcar na Linha 4 – Amarela do Metrô paulistano, reparei um movimento diferente do meu lado direito, no último vagão. Tirei os fones de ouvido e notei que um jovem, aparentando cerca de 20 anos, tocava violão e cantava empolgadamente alguns sucessos da MPB. Algumas pessoas sentadas em volta já o acompanhavam nas palmas, outros apenas sorriam. Tinha também quem não gostasse, aumentando o som dos fones ou lançando olhares fulminantes para tentar constrangê-lo. No entanto ele, anestesiado por aquele pequeno público, continuava seu show.

Quando chegou a uma estação, o vagão começou a encher, naquela brutalidade conhecida de quem utiliza o transporte coletivo. Seu palco agora ficava menor. O fluxo agressivo de pessoas ocupando o local parecia que a qualquer momento iria carregá-lo, como se fosse um frágil castelo de areia que sumiria com as ondas do mar; mas ele permanecia firme. Entortou-se para não ser acertado por tantos braços e ombros, olhou em volta e afastou-se mais para o fundo. Agora, eu, que estava em pé, só conseguia ver sua cabeça, nem mesmo o violão. 

O desafio tornava-se maior. Mais gente e vozes conversando, menos visibilidade. Isso não o intimidou. Tocou mais sucessos brasileiros. Parte daquele primeiro público que o curtia agora mal conseguia vê-lo, mas os que estavam próximos o observavam — alguns como se ele fosse uma criatura, digamos assim, bizarra. E cantou, certo de que diante daquela cena tão cotidiana, ele era o diferencial. Após tocar uma sequência, deu uma pausa, recebeu aplausos e apresentou-se. Disse que estava ali para arrecadar dinheiro para cursar uma faculdade de Música, sua paixão e o caminho que escolheu para seguir, desde pequeno. A estação que eu iria descer estava chegando, mas vi algumas pessoas próximas se mobilizarem e barulhos de moedas. Queria ajudar também, mas vi as portas se abrindo. Desci e ele continuou lá, sorridente, agradecendo a todos que pelo menos tinham emprestado os ouvidos para o talento dele.

Nunca mais o vi. Mas não me esqueci do brilho nos olhos, seu vigor e empolgação enquanto cantarolava cada canção, além de no quanto aquele momento representava para ele. Ficou claro que a música é o combustível que move a sua existência. Mas acho que por meio dele pude refletir sobre mim também — eu, que vivo mergulhado na rotina, tentando acompanhar os ponteiros do relógio... Perguntei-me em pensamento o que eu tenho feito pelos meus sonhos? No quanto me dedico a eles? Pensei em como esses desejos são tão importantes para a nossa vida e como eles nos motivam até mesmo a levantar da cama todos os dias. Tudo aquilo, no fundo, foi uma relação de troca: nós ouvimos o sonho do jovem cantor, e ele nos deixou um pequeno exemplo de como vale a pena correr atrás do que desejamos. Não é apenas uma busca racional por resultados, mas sentir-se plenamente vivo. Em um mundo cada vez mais cruel, julgador e desestimulador, precisamos sempre cruzar com pessoas sonhadoras como ele. Faz muito bem.  

Danilo Moreira é jornalista e escritor. Além de gostar de observar e delirar sobre as entrelinhas do cotidiano, atua no jornalismo empresarial e produz conteúdos voltados à Criatividade. Trabalhou no teatro por três anos com atuação e criação de roteiros. Escreve mensalmente para o AODC Notícias.

17/01/2015

História que ouvi de alguém por ai - Vol.1

Por Beatriz Xavier 

Já faz um tempo que eu criei certo amor pela cozinha. Acho que você fica mais apaixonado pela comida quando engorda vinte quilos... Mas não toquemos nesse assunto.

Comecei a cozinhar pra valer ano passado, teve início a doença da minha mãe e logo a mim foi determina a cozinha... Sejamos francos, meu irmão na cozinha é algo que você deve evitar, caso contrário terá como resultado arroz queimado, tampas de plástico derretidas sobre a panela e frango cru... Entre outras atrocidades... Por essas e outras que a Cozinha tornou-se meu território.

Em um dia de calor, estava eu cozinhando ovos, quando de repente lembrei-me de certo professor, serei franca, não me recordo de seu nome... Mas a história era muito boa.


Em determinado dia, esse professor, quando ainda era jovem, seguia pela CPTM em pleno horário de pico com um amigo. Nas mãos do amigo a marmita devidamente amarrada com um pano de prato, que de determinada forma fazia a função de sacolinha...

Como todos bons paulistas, eles foram enfrentar o grande monstro chamado Trem das Seis, tudo para cruzar a cidade e chegar a tempo no colégio.

Pessoas se apertando, empurra, empurra, empurra. Falta de ar, aperto, empurra. BIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII. Trem chegando. Empurra, Empurra, Empurra... Trem parando na plataforma. Todos em seus lugares. RES-PI-RA-ÇÃO PRE-SA...
As portas de abrem...


Naquele momento o amigo de meu professor foi levado pela multidão, ergueu as mãos em uma tentativa tola de segurar a multidão atrás de si. (Anteriormente foi questionado “Por que não a guarda na mochila?” E sinceramente, eu não lembro o motivo de não tê-la guardado, mas me lembro do que aconteceu...). E de repente, bastou um passo errado! Tropeçou no espaço entre o trem e a plataforma, foi arrastado, a marmita fugiu, nela dois ovos cozidos com a gema mole se esparramaram pelo chão... A Marmita ficou na porta, sabe-se deus como, o amigo de meu professor ao lado dele na outra extremidade. O amigo com o rosto rubro... Meu professor rindo lhe pergunta:
           
            - Não vai pegar a sua marmita?
            - Que marmita?

fotos:http://www.mobilize.org.br/midias/noticias/plataforma-da-estacao-luz-da-cptm1.jpg
http://ww2.baguete.com.br/admin//cache/image/noticias/2015/01/1421087570_cptm.jpg


Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

11/10/2014

Transporte Público

Por Beatriz Xavier


Levantou relutante, mas não possuía opção. Fulana, como tantas outras, lutava todos os dias para não ir trabalhar. Não que o trabalho fosse ruim, muito pelo contrário, amava a profissão que escolheu, amava mais ainda as pessoas que com ela dividia aquele aconchegante espaço.



Fulana, sim Fulana. Morria um pouco quando levantava da cama. Morria um pouco quando no meio da rua, ao lado de um palito de dente gigante – de coloração amarelada – estendia o braço para dar sinal ao nada. Lotação.

Espremida, seguia sufocada, morria ali mais uma vez. Subia as escadas de degraus separados a passos largos, mais um dia, e novamente as escadarias que levariam ao céu estavam com suas esteiras quebradas. Morria Fulana mais uma vez.

Morria quando entrava na estranha minhoca recheada de vermes que se espremiam sem nenhuma educação, empurravam, urravam, falavam uns com os outros de maneira ensurdecedora. Morria, morria. Morria mais um pouco e lutava para não morrer!

Saia, empurrada, como um almoço mal digerido pelas laterais da cruel minhoca, seguia para outra e outra, e outra. Até enfim chegar ao trabalho.

Quando passa a porta, morre. Morre Fulana. Morre exausta, pensa “se eu morasse perto, se perto de mim tivesse trabalho, se perto de mim eu pudesse existir, se existir pudesse perto de mim”. E morre, morre Fulana. Morre esperança, morre futuro, morre Fulana, até que um dia morre de verdade e se torna verme. Verme espremido no interior de uma minhoca.

imagens:http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/metrosp_lotado.jpg
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Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

01/03/2014

A magia das palavras...

Por Carol Zanola


"Todo dia é dia e tudo em nome do amor. Ah, essa é a vida que eu quis"
 - Trecho da música - Pro dia nascer feliz - Cazuza / Frejat

Letras, sílabas, frases, estrofes e a minha alma resplandece o mais puro sentimento que só as  palavras bem ditas podem nos causar, o Amor. Amor ao que é dito, lembrado e vivido.

No último dia da exposição "CAZUZA Mostra Sua Cara", tive a oportunidade de acompanhar e eternizar por meio de retratos, o belíssimos trabalho (não é a melhor definição para o coletivo, pois só vi pessoas transmitindo alegria e amor) que os Poetas Ambulantes fazem na nossa cidade.

O coletivo "Poetas Ambulantes", oferta poesias no transporte público da cidade de São Paulo, mais que isso, tornam o trajeto dos passageiros mais agradável. Tantas reações e emoções são percebidas enquanto o ônibus segue o seu destino. É uma troca de sorrisos e poesias.

Com a temática "Cazuza", os poetas foram declamando trechos de algumas canções, como "Exagerado", "O tempo não para" e "Codinome Beija-Flor". Além, de poesias autorais.

Foi uma linda homenagem!


Espero que os nossos caminhos se cruzem mais e mais...Muito obrigada!


"Uma vez Poetas Ambulantes e nada será como antes!"

Muita poesia e sorrisos

Carol Zanola é assistente de arte. Tem formação superior em Produção Multimídia. Apaixonou-se logo cedo pelo cheirinho de jornais e revistas e nunca dispensa um belo café. Estudante da Oficina de Teatro 2013, do grupo A Ordem do Caos.

15/08/2013

Devore livros

Por Tábata Costa

Se você gosta de ler livro seja la qual for o estilo, romance, suspense, magia, auto ajuda, romance policial, bibliografias, poesia, você devora livros! O  livro te transporta para outro lugar, preenche seu tempo, te informa,emociona, ensina, te livra do estresse do metrô ,ônibus lotado ,há quem se equilibre nas curvas do transporte coletivo para ler em pé, de tanto que é agradável a leitura.
O autor sempre descreve as características físicas do personagem, a emoção que o personagem está sentindo, a personalidade dele, o lugar onde ele está, o clima, isso estimula sua imaginação, te transporta para a história. Se você mergulhar na história, com o passar do enredo o livro te faz odiar ou amar e até se identificar com determinado personagem, imaginar o que acontecerá com o decorrer de cada capitulo,abre sua mente sobre diversos assuntos, te sensibiliza ,aumenta sua bagagem cultural.
Há muitos livros que se tornam  filmes, que duplicam nosso encantamento, e materializam a história, como Harry Potter, O menino do pijama listrado, Senhor dos Anéis, Querido John, Romeu e Julieta do gênio Shakespeare. Mas na maioria das vezes preferimos o livro, pois o filme nem sempre é fiel aos detalhes do livro e só se baseia na história do livro.

É muito gostoso ler, devorar livros. Às vezes há livros que podem não agradá-lo, se o livro estiver ruim pare de lê-lo e comece a ler outro, nem todos os livros são iguais. É clichê, mas jamais julgue um livro pela capa e nem sempre aposte em ler aquilo que todos estão lendo.
Mas como suprir a fome por leitura sem gastar muito?
Tenho umas dicas que eu uso:
A prefeitura de SP disponibiliza um acervo virtual para consulta de livros em qualquer Biblioteca, Centro Cultural ou CEUS na cidade de São Paulo, onde você poderá pegar o livro emprestado, o site informa se algum lugar tem o livro e se está disponível para empréstimo.



Mas se você estiver andando de metrô pode da uma parada na Estação Paraíso onde também são feitos empréstimos de livro no Embarque na Leitura.
Ambos você precisará fazer uma carteirinha grátis com RG e comprovante de residência ,o (Embarque na Leitura exige foto). Se você decidir comprar um livro por ai em uma Livraria, terminar de lê-lo e quiser comprar outro Livro, também tem a opção de trocá-lo por outro em um  Sebo - que são espécies de brechós de livros, lá você pode vender também ou comprar algum por um preço mais acessível.
É ... só não devora livros em Sampa ,quem não tem fome de ler , experimente!
Bom apetite!


Tábata Costa ,estudante de Técnico de Nutrição e Dietética , tem 25 anos e gosta de artes e esporte no geral e é estudante da oficina A Ordem do Caos 2013. 

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