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11/10/2014

Transporte Público

Por Beatriz Xavier


Levantou relutante, mas não possuía opção. Fulana, como tantas outras, lutava todos os dias para não ir trabalhar. Não que o trabalho fosse ruim, muito pelo contrário, amava a profissão que escolheu, amava mais ainda as pessoas que com ela dividia aquele aconchegante espaço.



Fulana, sim Fulana. Morria um pouco quando levantava da cama. Morria um pouco quando no meio da rua, ao lado de um palito de dente gigante – de coloração amarelada – estendia o braço para dar sinal ao nada. Lotação.

Espremida, seguia sufocada, morria ali mais uma vez. Subia as escadas de degraus separados a passos largos, mais um dia, e novamente as escadarias que levariam ao céu estavam com suas esteiras quebradas. Morria Fulana mais uma vez.

Morria quando entrava na estranha minhoca recheada de vermes que se espremiam sem nenhuma educação, empurravam, urravam, falavam uns com os outros de maneira ensurdecedora. Morria, morria. Morria mais um pouco e lutava para não morrer!

Saia, empurrada, como um almoço mal digerido pelas laterais da cruel minhoca, seguia para outra e outra, e outra. Até enfim chegar ao trabalho.

Quando passa a porta, morre. Morre Fulana. Morre exausta, pensa “se eu morasse perto, se perto de mim tivesse trabalho, se perto de mim eu pudesse existir, se existir pudesse perto de mim”. E morre, morre Fulana. Morre esperança, morre futuro, morre Fulana, até que um dia morre de verdade e se torna verme. Verme espremido no interior de uma minhoca.

imagens:http://www.viomundo.com.br/wp-content/uploads/2014/02/metrosp_lotado.jpg
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Beatriz Xavier (Bia), 20 anos, é estudante de Licenciatura em Letras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Desde os doze anos de idade tinha certeza que seria escritora, hoje não possui mais tanta certeza, porém esse sonho ainda reina em seu mundinho. Escreve quinzenalmente aos sábados crônicas para o AODC Notícias.

03/08/2013

Quero mais tempo, todo dia

Por Carol Zanola


A paisagem da cidade de São Paulo se divide entre pontos importantes como o Marco Zero, o Theatro Municipal, a Ponte Octávio Frias de Oliveira (Estaiada) e as imensas filas de carros que são formadas todos os dias nas principais vias que nos levam aos pontos de maior circulação da nossa cidade. 
Congestionamento na Avenida
 Engenheiro Luís Carlos Berrini,
às 9:40 da manhã – crédito Carol Zanola

O congestionamento da capital paulistana é o segundo maior problema, perdendo somente para a saúde, na cidade de São Paulo. Pouco se faz para a resolução da situação, pois deveríamos construir cerca de oito "Avenidas Faria Lima" por ano para tentar amenizar esse grande problema.
Assim, o paulistano perde tanto tempo no trânsito que já começou a calcular o seu tempo não mais pela distância, mas sim, pelo horário que está saindo e pelas vias que irá utilizar para chegar ao seu destino. Em números se torna ainda mais assustador, pois se calcula que cerca de 2 horas e 49 minutos são perdidos só na parte da manhã, por diversos trabalhadores, no trajeto de casa para o trabalho. No mês, são cerca de 2 a 3 dias e se calcularmos isso no ano perdemos cerca de 20 a 30 dias somente nos congestionamentos. Todo esse tempo perdido poderia ser usado para outros fins como, por exemplo, lazer e cultura, ou seja, mais qualidade de vida.
A conscientização do uso da bicicleta é outra forma de tentar amenizar esse problema que só tende a crescer. Há duas novas tendências que podem tentar conscientizar e driblar esse caos que enfrentamos cotidianamente: o compartilhamento de veículos e o uso de um serviço de "caronas".
Pensando em uma empresa que tenha cerca de quatro funcionários morando na Zona Sul da capital, se eles utilizarem o serviço de carona já retiramos das ruas três veículos e se todos se alternarem todo mundo ganha.
O tempo roubado da população poderia ser de alguma forma devolvido, pois com a alternância de motoristas todos conseguiriam começar o seu dia antes do previsto, seja lendo um jornal, livro ou até mesmo descansando para começar a sua longa jornada de trabalho. 
Para pequenos trechos não se esqueçam das nossas “magrelas” ou optem por uma bela e saudável caminhada (lembre sempre de se hidratar e usar um calçado adequado).
Eu quero mais tempo, todo dia.



Trecho da música “Rua da Passagem” - Arnaldo Antunes / Lenine



Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental






Carol Zanola é assistente de arte. Tem formação superior em Produção Multimídia. Apaixonou-se logo cedo pelo cheirinho de jornais e revistas e nunca dispensa um belo café. Estudante da Oficina de Teatro 2013, do grupo A Ordem do Caos.

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